sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Banda Beijo


Longe de mim querer te convencer que isso é legal. Nem quero mostrar que sou eclético bragarái, que numa mesma semana cito Chromeo e... Banda Beijo. É só porquê algumas faixas desse disco estão ligadas a algum tipo de memória afetiva, sei lá. A pista que eu frequentava na época em que o grupo estourou tocava, então esse negócio ficou engavetado em algum canto menos visitado do meu cérebro. Tenho o vinil Axé Music: Aconteceu (1992), ouço de vez em nunca. Me chama atenção o mix dos sintetizadores com os tambores, batucada que seduziu de Paul Simon (The Rhythm Of The Saints, 1990) a Pet Shop Boys (Bilingual, 1996). O álbum tem ainda um cover muito honesto de "Sandra", originalmente de Gilberto Gil (preste atenção nos backing vocals maravilhosos da versão da Banda Beijo), outro sucesso ("A Vida é Festa"), letras politizadas ("Barracos [Escombros]", uma espécie de "Alagados" do axé), direção artística do mesmo cara que produziu seis álbuns do Legião Urbana (Mayrton Bahia) e Netinho, que saiu em carreira solo no ano seguinte, emplacou quatro hits de cara e continuou falando sobre dígitos acima de seis zeros.

"Estrela Primeira (Amor Eu Fico)": axé dono do campinho no começo dos 90.   

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

37ºC


Novíssima do duo gente fina Chromeo, "Bedroom Calling" é mais uma faixa que vai estar em Head Over Heels, quinto álbum dos canadenses, que sai ainda este ano. O primeiro single, "Juice", foi lançado em Novembro do ano passado. Achei que tanto "Bedroom Calling" (que tem participação do rapper americano The-Dream) quanto "Juice" não ultrapassaram muito a temperatura do corpo. São boas faixas de funk eletrônico com paletó e gravata, bem comportadinhas, fofinhas ou "muito amor", pra usar uma expressão em voga. Uma dosezinha de ousadia (sexual, instrumental) pode cair bem nesse som, pro Chromeo provar que é muito mais que um par de rostinhos bonitos.


"Bedroom Calling": 37 graus Celsius.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Lola em Disco


Vale a pena dar uma checada no trampo do prolífico porto-alegrense Guilherme Silveira (a.k.a. DJ Feijão e também metade do Paradizzle) e seu projeto Lola Disco. Depois do debut Summer Body (lançado em Abril do ano passado pelo selo americano Sunrise) e vários singles, já saiu Girl Talk em Novembro, com oito faixas - um engavetamento de samples encaixados sob batidas ora french touch ora funk cremoso pós-disco - tão divertidas de ouvir e/ou dançar quanto descobrir de onde vem as amostras usadas por Guilherme, um aplicado caçador de fontes. Evoluindo tecnicamente em pouco tempo, dá pra sacar claramente que Girl Talk vem com um som mais limpo e preciso do que o primeiro disco. Perceba a progressão ouvindo de boa no Bandcamp e de quebra, dando aquela moral comprando o álbum em formato digital (só seis doletas), porque a limitada edição em CD já esgotou.


"Instantly": um dos melhores momentos de Girl Talk.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Information Society

Um dia eu ainda vou entender porque o Information Society foi tão imensamente popular no Brasil. Conterrâneos de Prince (a banda vem de Minneapolis, EUA), o trio debutou pra valer em 1988 com um álbum autointitulado - antes disso há o The InSoc EP de 1983 e um lançamento independente de 1984 (Creatures Of Influence). Estourado nos Estados Unidos (mais de um milhão de cópias vendidas), Information Society, o disco, virou por aqui uma espécie de hit singles pack. Nada menos que seis - das dez faixas - tocaram insistentemente nas rádios brasileiras por dois anos a fio, até o lançamento de Hack, em 1990. A chamada "crítica especializada" nunca engoliu o grupo. Chamado erroneamente de "Depeche Mode de segunda", os jornalistas detestavam o Information pelos motivos errados, porque as comparações com o synthpop europeu da época eram, no mínimo, falta de informação (sem trocadilhos). Chegou-se a escrever que "What's On Your Mind (Pure Energy)", era "a melhor música que o Duran Duran não havia gravado". Mas a única coisa que o InSoc tinha em comum com Depeche e Duran eram os sintetizadores. A base da banda americana era outra, muito mais ligada ao electrofunk de Afrika Bambaataa do que à eurodisco européia.   


"Running" é uma das faixas de Information Society. A canção já tinha aparecido em Creatures Of Influence, mas no álbum de 1988, ela ressurge polida por reverbs nos vocais e efeitos de delay. O fato curioso aqui é que a voz ouvida não é a do vocalista Kurt Harland, e sim de Murat Konar, integrante que deixou o grupo em 1985. "Running" é um épico de oito minutos que funde technopop, freestyle e electro, com os vocais dramáticos de Konar. Hit eterno.

"Running": com Kurt, só nos shows.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Cheia de Charme


É aquela história do "gostei mas não amei". "Get Out" foi pro ar ontem e é o mais novo single dos synthpopers escoceses do Chvrches. É também a primeira faixa de trabalho de Love Is Dead, terceiro disco do trio, que sai ainda este ano. É uma canção bem construída, com (obviamente) sintetizadores por todos os lados: do emulador de baixo até o entra-e-sai de efeitos e timbres forrando a estrutura. O problema aqui (pra mim) é que fiquei com a impressão que o refrão é caça-likes, algo que a Kylie Minogue gravaria com um pé nas costas, se é que você me entende. Com uma melodia facinha, mais pop do que synth, "Get Out" deve subir alto no paradão inglês (e acho que só lá), mas nem toda a estranha beleza e o carisma espontâneo da vocalista Lauren Mayberry me tiram da cabeça que de candidatos a Kylie Minogue o pop tá assim ó.

"Get Out": fácil, extremamente fácil.