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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

No Surprises


Ao que parece, White Women (o próximo álbum do Chromeo) não deve mudar muito as coisas pra dupla canadense.

É isso que indicam os novos singles "Over Your Shoulder" e "Sexy Socialite".


"Over Your Shoulder" tem lá seu apelo. É elegante, agradável e tem uma guitarrinha pegajosa. Um ouvinte desavisado periga até confundir com um lado B do Odyssey de 1982. Agora, "Sexy Socialite" é de lascar o cano. Por cima de uma batida confusa, rolam versos lamentáveis como "Sexy socialite /
Always so polite / Wanna spend the night". E o salário, ó.



Segue a sina do Chromeo: alguns singles decentes e álbuns que (até agora) não disseram a que vieram.

sábado, 21 de setembro de 2013

Caras Novas: Kaytranada


Kaytranada é o novo pseudônimo de Kaytradamus. Nomes desconhecidos pra você? Sem problemas, o canadense é novíssimo na cena. Ele monta beats envenenados a partir do hip-hop e funde magistralmente com disco, house e soul. 


"At All" é seu novo single. Desconheço a fonte do sample vocal, mas seja o que for, Kaytradamus subverteu a ponto de criar uma nova maneira de cantar.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Caras Novas: Cosmetics



Cosmetics é o casal Nic M (sintetizadores) e Aja Emma (vocais), de Vancouver, Canadá. O som é synthpop na linha do prestigiado selo Italians Do It Better (Chromatics, Glass Candy): sexy, romântico, docemente sinistro.


O Cosmetics soa antigo, mas não envelhecido. Não perde em modernidade para o Crystal Castles, mesmo que desenhe suas linhas de sintetizador com as mãos nos teclados, e não com o mouse em punho.

Seu Olympia EP foi gravado em Abril de 2011, mas a dupla - não convencida do resultado do trabalho - engavetou o projeto por dois anos. Só depois de ouvir novamente as mixagens e praticamente começar do zero, o mini álbum de seis faixas foi lançado, no começo de Agosto.

  Sintetizadores na linha de frente, Olympia EP tem faixas como "Heartbeat", que soa mais Goldfrapp do que o Goldfrapp 2013:



"Black Leather Gloves" é outra ótima canção do EP. Minimalista, traz os sussurros entediados da platinada Aja Emma entre distorções sintéticas, arpejos e beats econômicos de bateria eletrônica:



"Breathless" é um momento mais leve e dançável da dupla:



Minha preferida é "Honey Honey". É o vocal lânguido de Aja, filosofando: "o paraíso é frio como o gelo", sob navalhadas de sintetizador:



Segundo o duo, há um álbum sendo gravado, e ele vem em breve. Nível mantido, entra por antecipação na minha lista de melhores do ano.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

New Romantics


Other é o debut do duo canadense Data Romance, saiu este mês.  
 

Ouvindo a faixa de abertura, a sufocante "Caves", ecos de trip-hop espalham-se aos cacos. Mas o Data Romance passa longe de samples de jazz/blues, beats de rap e baixos de reggae, como nos acostumamos a ouvir com Portishead e principalmente Massive Attack. Other é o pop eletrônico na visão particular do produtor e tecladista Ajay Bhattacharyya: batidas engenhosas e sintetizadores que crescem devagar pra valorizar a voz pequenininha mas afinada da linda Amy Kirkpatrick. A dupla por vezes facilita as coisas ("Can't Keep Your Mind Off", "Paper Thin"), soa sutil e delicada ("Cargo"), mas não perde a chance de provar que o pop rasteiro não é a praia deles ("They", "She's Been High"). Other tem sua audição ampliada pelo vocal frágil de Amy em contraponto ao instrumental climático criado por Ajay, que - na maioria da doze faixas - não ultrapassa a velocidade da tag downtempo. Bela estréia.

"Caves": "... build a rope and bring me home..."


domingo, 23 de dezembro de 2012

Fortaleza Que Não Desaba

 
Crystal Castles mantém um padrão invejável de qualidade com seu terceiro álbum, lançado mês passado. III traz a dupla canadense envolta num clima etéreo-opressivo em 12 faixas produzidas pelo tecladista Ethan Kath, gravadas em Varsóvia e mixadas em Londres.


A fria capital polonesa, com suas muitas catedrais em estilo gótico, deve ter inspirado o duo no saldo final das composições: a temática ao mesmo tempo sacra e profana da faixa de abertura "Plague" ("Virgin cells to penetrate / Too premature to permeate / They fake sincerity / Thy gifts don’t give to me / Now you’ve been annointed / They’ve been asking for it"), é um bom exemplo. "Wrath of God" continua: "Christen them / With paraffin / Sterilize samaritans / Contravene loyal ties". Saber em que contexto Alice Glass canta esses versos, quase soterrada por camadas de synths e ruído, é uma das incógnitas do álbum. Tentar descobrir com repetidas audições é que é o grande barato. Na terna "Affection", Glass sussurra "Without past I can't disappoint / My ancestry", enquanto Kath tira não sei de onde, um dos riffs de sintetizador mais bonitos do ano. A paleta sonora do Crystal Castles em III é diversa, mas a ousadia paga o preço da ojeriza que pode causar quando faixas como "Insulin" põe em dúvida até onde vai o limite do que cabe ou não dentro da música, em si. Ethan Kath explora habilmente esses limites no disco, com timbragens próximas de um mix de Ruído Branco com synths vintage, em que ele pode destruir melodias lindas como a de "Mercenary", o que pode soar tanto divino quanto estúpido. No ótimo electro-funk noise de "Kerosene" e na tranceira "Telepath", linhas de baixo atordoantes reforçam os arranjos, enquanto "Transgender", "Sad Eyes" e "Violent Youth" abrem caminho na pista de dança com timbres mais amigáveis e programações de bateria favoráveis aos quadris. A doce e enigmática "Child I Will Hurt You" encerra III, um dos discos do ano.

A sufocante "Kerosene": perturbadora, como quase tudo em III. 


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Men Without Songs

 
Um revival que definitivamente não vai acontecer: Men Without Hats.

 
Aí já é forçar a amizade. Baita pretensão de um one hit wonder (a razoável "The Safety Dance", no caso) achar que o tempo parou em 1983. Tem gente que faz isso com propriedade: fundindo, misturando, acrescentando sonoridades da época de ouro do technopop, mas com uma cara atual. Já esses canadenses, não. Sem tirar nem pôr, o som deles é um enfadonho e monótono pop eletrônico bobinho, redundante e datado, como sempre foi, aliás. "The Safety Dance" é divertida, vai. Até rola numa festinha flashback. Mas deixa ela lá, pra ocasiões especiais. Love In The Age Of War é o sétimo álbum do Men Without Hats, depois de quase dez anos de silêncio. Dez faixas que entram por um ouvido e saem pelo outro. Total indiferença. Curiosamente, a voz de barítono de Ivan Doroschuk lembra demais a de Andrew Eldritch, dono do campinho no Sisters Of Mercy.
 
"Head Above Water": é daí pra pior.
 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A Sexta Pede Sol


"Sun", do projeto do canadense Daniel Snaith, Caribou. Porque a sexta merece um som assim: hipnótico, psicodélico, profundo, experimental e altamente dançante. Um mantra repetido à exaustão elevando mente e corpo a um outro plano - sexual, musical, espiritual... você escolhe. Exagero? Não, não. É uma faixa inesquecível, sob qualquer aspecto. Single de 2010 extraído de um dos melhores álbuns de eletrônica dos últimos anos, Swim. Sério, não deixe de ouvir, se você ainda não o fez.
"Sun": vídeo não convencional para uma música não convencional.

domingo, 11 de março de 2012

Quando o Synth Não é Tão Pop

Pra você - fã ardoroso de tecnopop - que não está nem aí para noções como criatividade e inventividade, tenho duas sugestões que podem te interessar:

The New Division


Com esse nome, não preciso nem dizer quais as duas maiores influências da banda de Los Angeles. Lançaram no final do ano passado o razoável Shadows, que no final das contas lembra um The Killers um tiquinho mais eletrônico. Mesmo assim, o quarteto empilha boas camadas de teclados e vocais esforçados nas 14 faixas do álbum:

The New Division - Shadows (Album Sampler) by ProgressProductions

Trust


Duo canadense formado por Robert Alfons e Maya Postepski. Acabaram de debutar com o álbum TRST, 11 canções synthpop com temperatura abaixo de zero. Tem desde aquele clássico "dugu-dugu-dugu" do baixo sintético ("Dressed For Space") até os vocais perturbadoramente distantes de Alfons ("The Last Dregs"), passando por bleeps analógicos ("Gloryhole") e composições realmente boas ("Sulk"). Ouça, numa dessas pode surpreender:

quinta-feira, 1 de março de 2012

Reckless (With Your Music)

Um cabeleireiro urgente pro Azari & III.
Ano passado eu ouvi uma e outra coisa do Azari & III e nada me pareceu tão empolgante a ponto de me fazer levantar do sofá pra dançar. Achei tudo tão descaradamente transportado de algum lugar do começo dos 90 direto pra 2011 que perdi o interesse rapidamente. Nada de inovador pra receber alguma tag como "nu-house" ou algo assim.


O single mais recente dos canadenses (dois produtores, dois vocalistas) me fez, de novo, prestar atenção no quarteto. "Reckless (With Your Love)" é exatamente como descrito acima: parece um hit de pista que em 1992 atravessou a sacolejante parada Hot Club Play da Billboard e foi parar num honroso 42º lugar do Top 100, com boa execução nas rádios e alta rotação na faixa pop da MTV. Bom, parece isso. Mas algo aqui me pegou de jeito. Talvez esses teclados tão bem colocados (note o som de órgão do riff que se repete ad infinitum), o refrão, a programação esperta de bateria, os pianos, os excelentes vocais. É um mistério, mas a música é ótima.

"Reckless (With Your Love)": house antropofágica.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Prafrentex é que se Anda

Belo perfil.
A canadense Claire Boucher é jovem, bonita, canta e toca teclados. Mas não pense em La Roux ou Little Boots, sua encarnação artística Grimes está mais pro terreno de Lykke Li e Laurie Anderson. E apesar de seu debut Visions (4AD) soar vanguardista (mas não pretensioso), o disco pode ser igualmente curtido por quem não está nem aí para as possíveis aspirações que vão além da simples distração auditiva por parte do Grimes. 

 
O que acontece no álbum é uma fusão esvoaçante de Enya com Elizabeth Fraser e de synthpop com IDM, que possibilita tanto vôos experimentais sustentados por vocoders ("Eight") quanto funks de plástico como "Colour of Moonlight (Antiochus)" - que renderia um mashup interessante com "When Doves Cry" do Prince. Pra se entregar de cara, basta ouvir o primeiro minuto da sequência de acordes engrenados de baixo sintético da segunda faixa, "Genesis", ou a canção a seguir, "Oblivion". Os vocais delicados e ininteligíveis (aí está mais um elemento a favor dela) de Claire completam o trabalho. O álbum está cheio de batidas criativas ("Visiting Statue"), timbres esquisitos ("Symphonia IX (my wait is u)"), lindas passagens de pop eletrônico/etéreo ("Nightmusic") e mostra, principalmente, que existem muito mais maneiras de cantar do que você imagina. Uma estréia com o pé direito.

"Genesis": basta um minuto.

domingo, 25 de dezembro de 2011

New Old Boys


Teoria: mais difícil do que criar um som novo é reproduzir com perfeição algo que já foi sucesso um tempo atrás. Concorda? Os canadenses do Junior Boys vem tentando há quatro álbuns transportar aquela sonoridade do synthpop britânico da primeira metade dos 80 para os dias do dubstep. Ou não, vai saber qual é a intenção de Jeremy Greenspan e Matt Didemus quando usam esses sintetizadores limpinhos nas canções de seu disco mais recente, It's All True.


Cada vez que ouço Junior Boys minha sensação de que a dupla é uma versão do Hot Chip do lado de cá do Atlântico é reforçada: vocais tímidos, timbres aconchegantes, quase dançável, quase indietrônica. Não é ruim, longe disso. Mas também não é muito excitante. Você, fã ardoroso de electropop, vai certamente procurar o botão do repeat em "You'll Improve Me", uma maravilha de quase seis minutos que parece ter tido a disciplina paciente de ser construída com uma tecla sendo apertada de cada vez ao invés de cliques nervosos nos synths virtuais, de tão eficiente e milimétrica que é. O problema é que esse mesmo tesão que surge ao ouvir uma canção dessas se esvai quando coisas como a indecisa "The Reservoir" aparecem. E lá vem quatro minutos arrastados por blips e vocais em falsete cansativos. E assim It's All True vai, um tiquinho mais sexy aqui ("Kick The Can"), um tanto mais soporífero ali ("Playtime"), o que resulta num trabalho inevitavelmente irregular. Ouvir esse álbum é como zapear a TV sábado a noite: satisfação e desapontamento andam lado a lado o tempo todo.

It's All True: duas metades desiguais.