sábado, 6 de julho de 2013

Goddard Solo


Joe Goddard é o vocalista aceitável do Hot Chip. O insuportável chama-se Alexis Taylor. Produtor exímio, Goddard volta a se concentrar nas ideias que não cabem no electropop de sua banda titular, nem da reserva (The 2 Bears).


O EP Taking Over saiu no finalzinho de Junho e traz quatro faixas que reafirmam o talento deste simpático britânico de tecido adiposo deveras desenvolvido.

Meus ouvidos decretaram empate técnico no quesito "melhor música do EP". Não consegui decidir entre a lenha queimando com vontade já na abertura com "Step Together", ou a deep "She Burns".

"Step Together" foi realizada em parceria com o DJ e produtor (e um dos pioneiros da cena house alemã)
Boris Dlugosch. Tem um piano que soa realmente como piano e não como um Casio Tone Bank, o vocal contido de Goddard, firulinhas agradáveis de sintetizador e uma programação de bateria simples e eficiente.


Já "She Burns" é mais gostosa de ouvir, em parte pelos vocais dedicados da desconhecida (pra mim)
Marla Carlyle. Baixo carregado de reverb e teclados que preenchem o ambiente no segundo plano servem de moldura pra boa voz da moça.


"Bassline '12" é um interessante exercício instrumental, com timbres de baterias eletrônicas de bolso e synths electro. O EP encerra com a faixa título meio indie/desolada, com sua guitarrinha tristonha e batida dançante que não instiga a levantar do sofá. Pra quem andou fazendo covers de Vampire Weekend e Joy Division recentemente, não é de se estranhar.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Army Of Lovers


Se você não acompanhou a trajetória do Army Of Lovers de 1987 até agora, saiba que não perdeu muita coisa. O erotismo burlesco e o pop dançante de altíssimo teor camp está bem representado na recém lançada coletânea Big Battle of Egos, que compila 16 faixas dos 26 anos de carreira do grupo sueco. Mas o que realmente vale a pena, caberia num EP. A saber: a boa italo-disco "Signed On My Tattoo" (uma das quatro inéditas presentes no álbum), a refrescante "My Army Of Lovers" (digna de figurar em alguma edição da série Café Del Mar), a house "Ride The Bullet" e a melhor da leva, a ótima "Obsession".


O single "Obsession" foi lançado em 1991, foi bem nas paradas europeias, mas não chegou nem perto de ser popular na Inglaterra ou Estados Unidos, ficando praticamente restrito à execução nos clubs. Aqui o Army Of Lovers acerta um belo refrão (sussurrado pelo vocalista Alexander Bard), usa uma base vocal em staccato inspirada em "O Superman" de Laurie Anderson e garante que os pés se movimentem na pista com um corpulento groove Soul II Soul. Não foi o maior hit da banda ("Crucified" mantém o posto), mas com certeza é sua melhor música.

"Obsession": sexy e cafona.
 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Marky 4.0


Dias atrás o paulistano Marco Antonio Silva - o DJ Marky - completou 40 anos de idade (e 23 de cabine). Pra relembrar sua trajetória, Marky mixou 78 faixas clássicas do seu case. Tem desde o soul/funk dos comecinho de carreira, passa por house e techno e chega no hardcore techno do início dos 90. O mix ameaça sair dos trilhos nesse ponto, porque a desconstrução rítmica é tamanha nesse período, que algumas músicas simplesmente não cumprem o principal objetivo de uma dance track: ser dançável. No finalzinho, Marky acerta a mão e faz um mini set de drum'n'bass (Omni Trio, E-Z Rollers, LTJ Bukem, Random Movement, Calibre), gênero adotado pelo DJ e que o levou ao estrelato. Vale ouvir:
 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Vovô Dos Samplers

 
Parece bobagem, um detalhezinho que quase passa batido, mas quantas milhares de vezes você já ouviu estes milésimos de segundo orquestrados pontuando faixas de eletrônica?



O australiano Fairlight CMI foi primeiro sintetizador polifônico de amostragem digital, disponível no mercado em 1979. Um mercado restrito, digamos. Herbie Hancock e Stevie Wonder compraram seus exemplares em 1980 pela merreca de US$ 27,500 cada. A série IIx (do vídeo acima), lançada em 1983, incorporou a linguagem MIDI, e era possível armazenar a biblioteca de sons nos falecidos disquetes de 8 polegadas - uma mídia que, todos sabemos, nunca dava problema.
De
Afrika Bambaataa à Pet Shop Boys, passando pelo Art Of Noise - um dos grupos que melhor explorou o instrumento - o Fairlight fez a cabeça dos incansáveis sampleadores dos anos 80. Clássico. 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Segunda Class: Agnetha Fältskog



Nunca aprendi a pronunciar o nome de Agnetha Fältskog. Uma das vocalistas desta instituição chamada ABBA (a outra era Anni-Frid Lyngstad), Agnetha não lançava um álbum de material original desde 1987. A é o quinto disco gravado em inglês pela cantora (os outros são em sueco), dos dez que ela totaliza solo.

Pule algumas faixas com excesso de sacarose ("The One Who Loves You Now", "Past Forever", "I Keep Them On the Floor Beside My Bed"), e sobram boas canções pop: baladas meia-luz evocando a candura de um Carpenters munido de baterias eletrônicas e produção apurada ("I Was a Flower", "Bubble"), ou um soft rock próximo da perfeição técnica do Fleetwood Mac ("I Should´ve Followed You Home", "Perfume In the Breeze"). Pra quebrar o gelo nórdico, ela ainda arrisca uma disco que não faria feio no catálogo de sua ex-banda ("Dance Your Pain Away").

O melhor de tudo, no entanto, é constatar que aos 63 anos, a voz de Agnetha Fältskog está inacreditavelmente intacta. Limpa e cristalina, como se fosse 1978. E pra começar a semana, A cai bem.

"Dance Your Pain Away": disco elegante.