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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Cortante Como O Vidro


Alice Glass (ex-Crystal Castles) ressurge agridoce com o single "Without Love", lançado semana passada. Produzida por Jupiter Keyes (da banda americana de rock alternativo Health, que já trabalhou com o Crystal Castles), a faixa explora os agudos afiados de Glass envoltos por synths ora delicados ora intimidadores. "Without Love" é de uma beleza bizarra e hipnótica (como a própria Alice), congelada pela lente da diretora ítalo-canadense Floria Sigismondi, no belo vídeo abaixo. Direto pra lista de Melhores do Ano.
"Without Love": pra deixar Ethan Kath choramingando baixinho.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Melhores de 2016 - Discos (#09: Crystal Castles)


Os narizes semi torcidos da crítica para Amnesty (I), quarto álbum do Crystal Castles, justificam-se para quem esperava algo realmente novo no som produzido pelo canadense Ethan Kath. Teoricamente, já seria hora de mudar, fundir, arriscar alguma coisa que fizesse com que sua música soasse diferente, mas igual. Que reverberasse com toda fúria habitual, mas que trouxesse alguns elementos até então inéditos nas canções. Que a dupla se mantivesse perto do padrão usual, identificável à distância, só que diferente. Difícil, não? A intelligentsia então, passou a dizer que as onze faixas de Amnesty (I) estão irremediavelmente datadas, previsíveis e que Kath e a vocalista substituta de Alice Glass, a competente Edith Frances, finalmente estão acomodados na zona de conforto.

Há, porém, gente que ouve o disco e percebe que os ataques não perderam um décimo da potência, que o que se criou foi uma identidade que torna a música do duo excitante e desafiadora, sem deixar de ser - em certos momentos - acessível e impactante. E os carimbadores de rótulos não param: chamam isso de Witch House, Electropop, Synthpunk... tudo pra tentar jogar a eletrônica sem freio do Crystal Castles em um universo desajustado e oblíquo - agora, segundo eles, perdido na vala comum das obviedades pop. Besteira. Ethan Kath continua afastado da mediocridade. E continua fazendo ótimos discos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Melhores do Ano - Músicas (#19: Crystal Castles)


Quatro anos sem gravar até o Crystal Castles aparecer em 2016 com material inédito e vocalista nova. Amnesty (I) não fica nada a dever pra quem achava que o projeto de Ethan Kath ruiria com a debandada da performática Alice Glass. Em "Concrete", especialmente, dá pra sacar que Edith Frances pegou o bastão onde Glass largou, disparando seus trinados quase ininteligíveis sobre a base furiosa de Kath. Um redemoinho de sintetizadores numa das melhores faixas do disco.

sábado, 18 de julho de 2015

Alice Practice


Crystal Castles segue com Ethan Kath e a nova vocalista Edith, soltou duas (boas) músicas recentemente e vem álbum novo aí. Ex-titular do microfone, a gataça Alice Glass subiu no Soundcloud essa semana sua nova empreitada solo, a faixa "Stillbirth". Disponível a partir de hoje em sites como iTunes e Spotify, a renda obtida com a venda do single vai para organizações sem fins lucrativos que ajudam sobreviventes de violência doméstica, violência sexual e incesto (conforme informa o site da cantora). "Stillbirth" é pesadíssima, com estrutura nada convencional e alterna momentos de calmaria com toneladas de distorção e efeitos. Bem interessante.

"Stillbirth": Glass começa bem.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Deicídio


Ethan Kath subiu hoje no Soundcloud mais uma faixa que deve estar no próximo álbum do Crystal Castles (a primeira foi "Frail", em Abril). Com o provocador título "Deicide", a canção é o Crystal Castles clássico (se é que dá pra dizer isso de uma banda tão nova): sintetizadores lúgubres planando ameaçadoramente, um riff trance certeiro, bumbo pesado e os vocais etéreos da misteriosa Edith. Por enquanto, duas músicas ótimas. E, mais importante, nenhum resquício de saudosismo em relação a Alice Glass.

"Deicide": as coisas vão se encaminhando muito bem.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Life After Death


Será que o Crystal Castles sobrevive sem Alice Glass na linha de frente? A julgar pela nova "Frail", sim. Glass deixou a peteca na mão de Ethan Kath em Outubro passado, alegando "razões pessoais e profissionais", como de praxe. Curioso é que Kath arrumou uma vocalista com um timbre sádico/infantil igualzinho ao de Alice: conforme anúncio na página da banda no Soundcloud, a nova cantora chama-se Edith. "Frail" tem aqueles sintetizadores sacro-tranceiros dignos das melhores faixas do duo, hi-hats sujos e vocais ininteligíveis (não se preocupe porque eles incluíram a letra no post). Eu achei foda.

"Frail": ótima volta.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Fortaleza Que Não Desaba

 
Crystal Castles mantém um padrão invejável de qualidade com seu terceiro álbum, lançado mês passado. III traz a dupla canadense envolta num clima etéreo-opressivo em 12 faixas produzidas pelo tecladista Ethan Kath, gravadas em Varsóvia e mixadas em Londres.


A fria capital polonesa, com suas muitas catedrais em estilo gótico, deve ter inspirado o duo no saldo final das composições: a temática ao mesmo tempo sacra e profana da faixa de abertura "Plague" ("Virgin cells to penetrate / Too premature to permeate / They fake sincerity / Thy gifts don’t give to me / Now you’ve been annointed / They’ve been asking for it"), é um bom exemplo. "Wrath of God" continua: "Christen them / With paraffin / Sterilize samaritans / Contravene loyal ties". Saber em que contexto Alice Glass canta esses versos, quase soterrada por camadas de synths e ruído, é uma das incógnitas do álbum. Tentar descobrir com repetidas audições é que é o grande barato. Na terna "Affection", Glass sussurra "Without past I can't disappoint / My ancestry", enquanto Kath tira não sei de onde, um dos riffs de sintetizador mais bonitos do ano. A paleta sonora do Crystal Castles em III é diversa, mas a ousadia paga o preço da ojeriza que pode causar quando faixas como "Insulin" põe em dúvida até onde vai o limite do que cabe ou não dentro da música, em si. Ethan Kath explora habilmente esses limites no disco, com timbragens próximas de um mix de Ruído Branco com synths vintage, em que ele pode destruir melodias lindas como a de "Mercenary", o que pode soar tanto divino quanto estúpido. No ótimo electro-funk noise de "Kerosene" e na tranceira "Telepath", linhas de baixo atordoantes reforçam os arranjos, enquanto "Transgender", "Sad Eyes" e "Violent Youth" abrem caminho na pista de dança com timbres mais amigáveis e programações de bateria favoráveis aos quadris. A doce e enigmática "Child I Will Hurt You" encerra III, um dos discos do ano.

A sufocante "Kerosene": perturbadora, como quase tudo em III.