Mostrando postagens com marcador Goth Rock. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Goth Rock. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Goth Obsession


Rock não é lá muito a do blog, mas quando coisas como essa aparecem são dignas de registro. E negócio é que o post-punk usualmente tem seus sintetizadores lúgubres permeando as produções, o que não o deixa tão distante assim do synthpop e tem um pezinho na eletrônica, sim.

O Escarlatina Obsessiva é uma banda da pequena São Thomé das Letras, Minas Gerais. Gravam desde 2007 e já tem seis álbuns lançados (o mais recente, Drusba saiu entre 2015 e 2016 e dá pra ouvir na íntegra aqui).

Grata surpresa pra mim, que nunca tinha ouvido falar da dupla (Karolina e Zaf). Produzindo incessantemente (ou obsessivamente, pra justificar o nome), o duo acaba de jogar no Youtube um vídeo para "Primal Beast", uma das melhores faixas de Drusba. A música, em si, me traz boas referências do gênero (X-Mal Deutschland, Siouxsie & The Banshees) e hoje em dia pode andar tranquilamente de mãos dadas com gente como Lebanon Hanover. Fora que é dançável, e, a despeito do climão soturno típico, vejo com potencial comercial, também (autossustentabilidade é bacana e todo mundo fica feliz).

"Primal Beast": perfeita pra dançar com o nariz colado na parede do Crepúsculo de Cubatão.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Melhores do Ano - Músicas (#10: Trentemøller)


Há tempos que Anders Trentemøller vem merecendo maior reconhecimento pelo trabalho apresentado. O músico e produtor dinamarquês vem desde 2006 lançando discos sólidos e transitando por vários estilos (Electronica, Techno, Ambient e Dark Rock, entre eles). Em seu ótimo álbum do ano passado, Fixion, Trentemøller recrutou três cantoras (Marie Fisker, Lisbet Fritze e Jehnny Beth). É Beth - vocalista do grupo pós-punk inglês Savages - quem canta em "River In Me", uma das melhores faixas do disco. A música dosa com exatidão eletrônica e rock gótico, soando soturna, dançável e longe das caricatas tentativas de gente que explora o darkismo muito mais ligado na forma do que no conteúdo, em si. Segundo o próprio Trentemøller, "...Beth tem essa voz realmente intensa e única e acabou sendo realmente desafiador e divertido tirar essa voz do universo do Savages e colocar no meu". Impossível discordar.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Sombra da Luxúria



Primeiro, a apresentação: em 2009, o sueco Hannes Norrvide juntou-se à alguns amigos que estavam formando uma banda punk, mas logo decidiu fazer música sozinho com seu sintetizador. Os primeiros experimentos do Lust For Youth eram extremamente barulhentos e direcionados para o gótico / darkwave. Depois de alguns compactos de sete polegadas e cassetes lançados, Norrvide chegou ao álbum de estreia em 2011, Solar Flare. Após o lançamento do disco e com uma série de shows previstos, Loke Rahbek foi chamado para os vocais. A dupla então muda-se da Suécia para a Dinamarca e chega ao segundo disco ano passado (Growing Seeds). Em 2013, mais um álbum: Perfect View sai em Julho.


É - até agora - um dos lançamentos mais instigantes e curiosos do ano, no campo da eletrônica. 
Pós-punk de tons enegrecidos que dispensa formalmente o uso da guitarra em favor de sintetizadores minimalistas, baterias eletrônicas toscas e vocais quase soterrados na mixagem, despejados como se fossem palavras de ordem. Isso quando há vocais. Das dez faixas de Perfect View (contando a bônus track da edição em CD), três são instrumentais - e esse é o primeiro ponto: essas canções são preenchidas com samples ininteligíveis de vozes enigmáticas falando sabe-se lá sobre o quê. Em "Barcelona", lembra um diálogo extraído de algum filme e em "Perfect View", são exclamações orgasmáticas mixadas com um discurso obscuro nos seus quase oito minutos de sintetizadores em círculos. "End" é quase uma vinheta, intermináveis noventa e oito segundos de aflição que acabam misteriosamente. "Image" também é curta na duração, com teclados exagerados e bumbo que faria Stephen Morris do New Order ficar coçando o queixo. A voz atormentada de Loke Rahbek surge nas canções como uma pregação às avessas, esbanjando melancolia. É o que se ouve no single "Breaking Silence", um synthpop de timbres limpos e flutuantes - bem diferente da opaca "Another Day". Uma virtude no som do Lust For Youth (ou defeito, depende do ponto de vista), que pode gerar encantamento e antipatia em doses iguais, é a estranha inclinação do duo em afundar boas melodias sob irritantes zumbidos e distorção ("Vibrant Brother", "I Found Love"), o que pode ser indício de uma provocação aos moldes do precursor Jesus & Mary Chain. Entre otimista e despedaçado, o disco encerra com o onipresente Ian Curtis acenando na curta letra declamada à força de "I Found Love In A Different Place".

Olha,
Perfect View soa estranhamente sedutor, econômico nos arranjos e honesto na intenção. É um tanto doloroso, mas tem momentos de beleza inquestionável. Vale a experiência.

"Breaking Silence": para não apreciar o silêncio.