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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Future Funk


Me admirei - muito - ao ouvir "Filthy", o primeiro single do novo álbum de Justin Timberlake, Man of the Woods (lançamento programado pra 02 de Fevereiro). Produzido pelo próprio Timberlake mais o parceiro de sempre Timbaland e o produtor Danja, "Filthy" é um funk cibernético corpulento e futurista, junta R&B e electro sob um baixo paquidérmico e um rolo compressor de efeitos, não facilita as coisas com as saídas mais fáceis do pop urdido por gente que dá as cartas atualmente como Dr. Luke e Max Martin e, mesmo assim, é totalmente digerível. Tão assombroso quanto a música é o vídeo elaborado para "Filthy", logo abaixo. Renovador e impressionante.


"Filthy": Justin rumo ao topo.

domingo, 11 de maio de 2014

Longa Vida Ao Rei


Menos é mais. A lógica invertida se aplica ao segundo álbum póstumo de Michael Jackson, Xscape (o primeiro é Michael, de 2010). O disco é uma coletânea com oito canções inéditas gravadas entre 1983 e 1999, posteriormente retrabalhadas por um time estelar de produtores e previsto para ser lançado dia 13 de Maio. O paradoxo aqui é que as versões originais são superiores às regravações. O senso comum levaria a crer que gente como Timbaland, Babyface e Stargate deixaria faixas que estariam aparentemente datadas - como o R&B "Loving You" - com uma cara nova e atual. Numa avaliação apressada, a música soa presa ao começo dos 80, mas como atualizar a atemporalidade da beleza de uma obra que nasceu com o selo de qualidade de um cara com uma sensibilidade pop fora do normal, como Michael Jackson? Encorpar os graves e substituir a bateria por uma batida encontrável em qualquer produção R&B genérica, não passa de uma simples adequação ao público que consome T.I. e Demi Lovato. "Loving You" seria perfeitamente aceitável em 2014 se a parceria entre Jackson e Daft Punk tivesse tido tempo de acontecer e a dupla francesa a tivesse produzido, o que prova por A mais B que o pop é, mesmo, cíclico.

A "Love Never Felt So Good" original (de 1983) vem despida de adereços: só piano e estalar de dedos levando a melodia vocal cantada com um sorriso no rosto pelo então maior artista do mundo. Nesse caso, um Timbaland mais contido jogou uma bateria domesticada e um arranjo de cordas digno (há ainda uma versão com participação igualmente econômica de Justin Timberlake). A versão beta de "Slave To The Rhythm", com a eficiência charmosa dos teclados discretos e a caixa seca, deixam a voz de Jackson muito mais a vontade do que o esforço da dupla Timbaland e Babyface e sua complexidade percussiva.

Slave To The Rhythm (Original Version):

Em "Chicago", os proeminentes hi-hats e o sutil arranjo de sintetizadores com timbres de cordas originais excedem novamente a regravação, enxertada com loops e rufos de bateria. Surpreendente é a versão para o folk clássico "A Horse With No Name" (hit de 1972, do America), transformada em "A Place With No Name". Jackson aproveitou o ótimo riff de violão, adaptou a letra e entre vários "yeah" e "woah-oh" característicos, deixou o groove irresistível - muito melhor que o mix do Stargate, que limou os violões e matou a música. 

Não sei qual seria a viabilidade comercial, mas acho que o mais honesto seria lançar um Xscape com o material original e depois um álbum de remixes, aí sim, com participação dos produtores que trabalharam na revisão dos faixas. Se bem que honestidade, na indústria musical...

Fica a obviedade em constatar que um artista que tem oito sobras de estúdio desse nível, merecia mesmo o título de Rei do Pop.

"A Place With No Name (Original Version)": genial.