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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Paul Jason Solo


Paul Jason Robb, produtor do technopop americano de segundo escalão (Red Flag, T42) e de bons nomes do freestyle (TKA, Noel), além do seu Information Society, tem um currículo interessante, mas eu mal sabia que ele tinha uma carreira solo. Vi dia desses que Robb acaba de lançar seu quarto (!) álbum, Impossible Piano, por seu próprio selo, HAKATAK International. O título é oportuno, porque a maioria das nove faixas aqui traz temas instrumentais que tem o piano tratado eletronicamente de modo a parecer realmente improvável a extração desses sons pela simples execução num Steinway & Sons da vida. Os efeitos (ecos, rufos, reverbs), reforçados pelas camas lúgubres de cordas que emolduram as composições, criam paisagens oníricas de placidez e serenidade, sensação potencializada pelo timbre abafado do piano, onipresente nos sons registrados no disco. A viagem de Robb fica no meio do caminho entre ambient e eletrônica, pendendo para um certo darkismo facilmente detectável em Impossible Piano. O surrado clichê que fala numa suposta "trilha sonora para um filme imaginário" é conveniente para tentar decodificar o trabalho. 

Se você acha o incensado Ambient 1: Music for Airports, de Brian Eno, um saco, fuja. Se quer um acompanhamento sonoro para noites de leitura, vinho e frio, é o que há.

Impossible Piano: todinho no Bandcamp.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Voxless


Você acorda certo dia com um riff clássico de sintetizador na cabeça. Aí, você procura pela versão instrumental da música, e constata que ela simplesmente não existe. O que fazer?

Aí que alguém que atende pelo pseudônimo de vdublu909 criou um canal no Youtube pra divulgar seu trampo: versões sem vocais de clássicos synthpop e new wave dos 80 e comecinho dos 90. Usando softwares virtuais, vdublu, em alguns casos, beirou a perfeição. Extremamente complicado soar como os sintetizadores daquela época, mas o cara conseguiu. Dá uma ligada na recriação dos timbres de "Sweet Dreams", do Eurythmics:



Tem muito mais na página de vdublu909: Yazoo, Bronski Beat, Pet Shop Boys, Laura Branigan... um negócio profissa. Boa diversão, recomendo.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Segunda Class: DJ Day


Day é o californiano Damien Beebe. DJ, produtor e multi-instrumentista, Beebe começou a discotecar em 1995, mas seu álbum de estreia só saiu agora, em 2013 (sem contar uma coletânea de singles, faixas inéditas e remixes lançado em 2008).

E que disco. Land of 1000 Chances pode ser colocado sem hesitação na mesma prateleira (ou na mesma pasta de arquivos) do que melhor DJ Shadow e RJD2 fizeram em suas carreiras. A síntese é a mesma: beats de hip-hop e andamentos de jazz sustentando enxertos de funk, soul e eletrônica. A diferença de DJ Day é que sua trip é de músico - ele se apoia fundamentalmente em instrumentos, não em samples. Ocasionalmente, amostras de diálogos e vocais são inseridos ("Mama Shelter"), mas são apenas coadjuvantes frente a quantidade de Mellotron, Clavinet, piano elétrico, baixo, guitarra e percussão usados nas faixas. Em "Boots in the Pool" e "Hopefully", belíssimos arranjos de cordas ornamentam músicas que transbordam bom gosto, calor e emotividade.

Land of 1000 Chances
tem 15 faixas instrumentais sem altos e baixos: o nível das composições é tão plano e homogêneo, que funciona incrivelmente bem se ouvido do início ao fim, sem interrupções. E pode ter certeza, você não vai querer pular nenhuma.

"Land of 1000 Chances": só uma das 15 pérolas do álbum.

domingo, 15 de setembro de 2013

Summer Funk


Vale a pena conhecer o som da dupla Paradizzle. Gaúcho de Porto Alegre, o projeto formado pelo DJ Feijão e pelo músico e produtor Di-Gestivo, acaba de soltar o primeiro single.

"Out Run" é um funk sintético "com um clima de praia e verão", conforme anuncia o duo em sua página no Soundcloud. Instrumental e preguiçoso (no bom sentido), tem um groove suculento e que pode dividir a mixagem tanto com artistas como Chromeo quanto Mantronix, sem sentimento de inferioridade. Estreia com o pé direito.

"Out Run": prontinha pra roda de break.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Killing An Araab


Abraham Orellana descobriu a melhor maneira de fazer rap nos Estados Unidos: sem letras. Depois da confusão causada por um inacabado Electronic Dream 2 ter vazado ano passado, o prolífico garoto nascido em Rhode Island acaba de soltar mais um disco, mixtape, ou seja lá como for que estão chamando isso agora.

 
For Professional Use Only reúne faixas que ficaram de fora dos outros trabalhos, material novo e coisas assim. Precede Electronic Reality, aí sim o disco oficial do AraabMuzik pra 2013 (acho). As faixas aqui vão na mesma onda do que você já conhece desse cara: hi-hats na velocidade da luz, bumbos pedalados por um ciborgue, samples de hip-hop e sintetizadores tranceiros. Tem umas coisas que fogem do padrão, como a orientalizante "The Prince Is Coming" com seu solinho de guitarra e percussão hindu, aproximação com o dubstep ("Never Have To Worry", "Runway Bass"), a latinidad de "I Can Show You" e o soul de "So Good". Até aqui AraabMuzik vem fazendo bonito, mas tô louco pra ouvir esse Electronic Reality pra ver se a fórmula se esgotou ou não.

"The Prince Is Coming": tablas digitais?
 


PS.: stream de For Professional Use Only aqui.

domingo, 23 de setembro de 2012

Rosa de Plástico


O sexto álbum do Four Tet não é exatamente uma novidade: das oito faixas, seis já haviam sido lançadas como single.

 
Ainda assim, Pink é obrigatório se você quer saber a quantas anda a eletrônica relevante deste 2012. "Lion" e "Peace For Earth" (as duas inéditas) mantém o padrão de qualidade das produções do britânico Kieran Hebden. "Lion" cresce aos poucos; é didática ao mostrar como ir preenchendo a estrutura da canção a partir de um esqueleto percussivo até deixá-la no piloto automático e percorrer um caminho de sombras provido pelos sintetizadores, enquanto encara uma chuva de xilofones no final da viagem. Já "Peace For Earth" é uma cápsula ambient techno que flutua na placidez estratosférica e depois volta à terra fragmentada em dezenas de pedaços flamejantes. Poético, não? Mas a sensação é essa mesmo. Four Tet é mestre em suscitar emoções e criar paisagens fictícias como essas através de sua música, sem resvalar para a eletrônica experimental incoerente ou o transcendentalismo barato. Satisfação garantida.

"Lion": lição de eletrônica.


domingo, 16 de setembro de 2012

Xerocadas Geniais

Shadow (a frente): escritório desorganizado.
DJ Shadow vai gravar mais 38 discos e nenhum vai chegar aos pés do seu debut Endtroducing....., de 1996. Era o tal momento mágico do artista, Toque de Midas, auge da inspiração.
 

Beleza, mas como é que ele grava um disco fundamental como esse, assim, de cara? Bueno, o californiano Joshua Paul "Josh" Davis vinha desde o começo dos 90 azeitando a máquina (no caso, o sampler Akai MPC60), até chegar na mistura perfeita de rap, funk, jazz e psicodelia de Endtroducing..... Esse processo todo agora pode ser descoberto através do lançamento mais recente de Shadow, Total Breakdown: Hidden Transmissions From The MPC Era, 1992-1996. A coletânea compila exatamente as faixas não lançadas no período pré-Entroducing (há registros de 25 segundos até sete minutos), e dá pra ter a exata noção do trabalho paciente de Davis com uma mão nos toca-discos e a outra no MPC.
 
"Affectations": quase no ponto. 


domingo, 10 de junho de 2012

O Pop Vai Devorar A Si Mesmo


 
Acho que o Pop Will Eat Itself não fazia idéia do quanto o nome que escolheram pra sua banda faria sentido para os cansados sampleadores dos anos 2000. 


Vanilla é um produtor de Oxford, Inglaterra. O lance dele é samplear soul e funk embolorado, adulterar alguns vocais e salpicar batidas hip-hop pra dar liga na mistura. Nada original, claro, mas é um disco gostoso de ouvir. Especialmente porque as fontes não são reconhecíveis à primeira audição - eu confesso que não conheci nada usado no seu mais novo álbum, Soft Focus. Pelo menos Vanilla não fez a besteira de ir no catálogo de confirmadas da Motown ou Stax e se achar o artistão do MPC. Soft Focus tem 27 faixas com duração média de dois minutos cada e Vanilla o disponibilizou pra download gratuito aqui. Muito justo, já que tenho certeza que ele não pagou um centavo pra usar os samples escolhidos.
"A Chance": não, não são Tico e Teco nos vocais.